Páginas

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Tamanho não é documento

Vendo a noticia da empresa que Eike Batista abrirá em parceria com a elétrica E.ON, na qual terá capacidade para fornecer energia para 20% do país – só o fato dele anunciar isto, investidores irão injetar dinheiro de cara – e lembrando da briga em torno da criação da Belo Monte que bate na casa dos 10% de capacidade para o Brasil. Hoje li uma matéria que as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) também causam um enorme impacto ambiental.

Na bacia do rio Santo Antônio – uma sub-bacia do Rio Doce – seriam construídas sete PCHs, no entanto, houve suspensão de todos os procedimentos de licenciamento ambiental e licenças já concedidas para tais construções.
A juíza Lílian Maciel Santos, da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual de Belo Horizonte usou como critérios o que todos já sabem; perda da biodiversidade, invasão e expansão das espécies exóticas, remoção da população e inviabilidade de dos rios para outros usos, tudo com a intervenção de biólogos e ambientalistas claro!
De acordo com a Comissão Internacional de Grandes Barragens (Icold, sigla em inglês), da qual participam países como Argentina, França e Coreia, uma pequena central hidrelétrica é definida a partir da altura de suas barragens e o volume de seus reservatórios. E, com a facilidade que era e os incentivos do governo para que se invista neste tipo de energia são intensos, as PCHS construídas até 2003 não precisa pagar taxas pelo uso da rede de transmissão e distribuição, isenção de remunerar municípios e estados pelo uso dos recursos hídricos, e empreendedores que obtiveram outorga de uma PCH até o final de 2010 têm compra de toda a energia que produzirem pela Eletrobrás por 20 anos. O BNDES já investiu bilhões de reiais em empreendimentos deste tipo. Será porque?
Para ter uma noção, no Brasil há 409 PCHs, das quais 121 estão em Minas Gerais, sendo que uma média de 15 realizam autoprodução de energia, ou seja, produzem para própria empresa. E até 2006 todos os licenciamentos eram feitos na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) de Minas Gerais, por técnicos sem nenhum preparo técnico para avaliar os projetos, a não ser que tais projetos apresentassem erros que até um asno soubesse que não poderia ser validado.
O primeiro impacto ambiental nisto é a ameaça de extinção de peixes como andirá, pirapitinga, surubim e um tipo de timburé. Depois vêm enchentes, o risco de rompimentos de barragens, mudança da vegetação, etc.
De um lado vemos alguns tentando barrar uma barragem que será uma das maiores do mundo com uma produção inferior a que Eike Batista apresentará aos tupiniquins, do outro “pequenos pocinhos” geradores de energia com impacto ambiental desproporcional ao tamanho. AS VEZES TUDO TÃO PERTO DE NÓS E NINGUÉM FAZ NADA.

Fonte: Ciência Hoje

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails