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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Zé Gotinha e os Manés Goteiras


Outro dia ao ler uma matéria da Radis (revista de Comunicação em Saúde), algo me chamou a atenção; uma exposição que passou por São Paulo, Rio e Brasília mostrando o que a indústria fazia para esconder a desgraceira que o cigarro provocava. Entre 1920 a 1950, sem legislação para tal assunto, eram rencas de propagandas absurdas em TVs e impressos que associavam o cigarro a datas festivas, momentos harmoniosos com a família, aval de pseudo-cientistas, celebridades do cinema como Sinatra e do esporte (Babe Ruth – considerado o maior jogador de beisebol) levantando a moral do fumo, promessas de emagrecimento etc. Mais ou menos como são as propagandas de bebidas hoje.
A coisa era tão feia, que cigarro era indicado no tratamento de crises asmáticas, estimulante para ânimos, calmante para nervos e panfletos como este era normal de se ver:
“Pode apostar que meu pai fuma Marlbo­ro. Ele sabe o que é bom!”, avisava este doçura de bebê aí.
Quem tiver interesse é a Radis n° 91, cada cartaz e propaganda é mais absurda que a outra, além do tanto que a arte gráfica da época é paia!
Mas paia! Paia mesmo! Seria se hoje um sujeito chegasse e convidasse uma sujeita a lhe acompanhar à farmácia para um xarope carbonatado. É um texto enorme escrito por Celso Miranda e Ricardo Giassetti, na Super Interessante - não me pergunte quem são – descrevendo a trajetória do refrigerante desde o século 19, até nossos dias de copa do mundo.
No texto cita um tal de Joseph Priestley (1767) e John Mathews (1832). Priestley sabe- se lá como, consegue produzir água gaseificada artificialmente, a soda. E Mathews, desenvolveu o que ficaria conhecido como soda fountain, água com gás de forma simples, produzido diretamente no balcão da farmácia, a beleza da coisa é que o “refri” era recomendado no tratamento de cólicas à poliomielite.
Não se sabe quem foi o abençoado que adicionou adoçantes e corantes nos “xaropes gasosos” ainda não se chamavam refrigerantes, mas a aposta que tenha sido um farmacêutico é grande.
Nos dias atuais estes remédios super poderosos são vendidos em pracinhas por aqueles senhores com relógio Oriente no braço, chapéu de camurça, sandália de couro e maletinhas, vendem de pomada milagrosa a poções que curam desde intestino preso a alguns tipos de câncer, causando inveja ao Asterix e Obelix.
Mesmo assim percebo que evoluímos léguas. Minha filha se vacinou outro dia contra Pólio, e filosofando imaginei crianças tomando refrigerantes ou refrigerecos, que lindo seria! Ou então, eu sanando uma irritação na garganta com um derbão?
Ainda nos deparamos com atitudes ridículas assim como não dar a preferência para gestantes e idosos em filas, brigar por futebol ou crenças, carregar as lembrancinhas das mesas em festas, jurar que álcool não é droga, carreatas em época de política...

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